PF investiga esquema de desvio de R$ 1,3 milhão em verbas na Câmara de Boa Vista
28/11/2025
(Foto: Reprodução) PF investiga esquema de desvio de R$ 1,3 milhão em verbas indenizatórias na Câmara
A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta sexta-feira (28) a operação Teatro das Sombras para investigar um esquema de desvio de verbas indenizatórias na Câmara Municipal de Boa Vista. Segundo a PF, o prejuízo ultrapassa R$ 1,3 milhão e ocorreu entre 2022 e 2023.
Todos os vereadores são investigados, da legislatura passada e também da atual. Foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão na capital, além de ordens de bloqueio de valores dos investigados para tentar garantir o ressarcimento do dinheiro público.
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Agentes federais cumpriram mandados de busca na sede da Câmara Municipal. A decisão, assinada pelo juiz Daniel Damasceno Douglas, autorizou a apreensão de "elementos do crime" em todas as salas onde estivessem em andamento processos administrativos relacionados à prestação de contas das verbas indenizatórias dos vereadores da atual legislatura.
Por meio de nota, a Câmara informou que está "à disposição das autoridades competentes para prestar todos os esclarecimentos necessários". Reiterou também o "compromisso com a transparência, a legalidade e a colaboração irrestrita com os órgãos de controle, reforçando que qualquer eventual irregularidade deverá ser esclarecida dentro do devido processo legal".
De acordo com a PF, os alvos usavam documentos falsos para justificar gastos que não existiram. Entre as irregularidades identificadas estão:
Notas fiscais canceladas ou inexistentes;
Declarações falsas de despesas;
Simulação de serviços que não foram prestados.
A investigação aponta ainda que parte dos reembolsos, destinados ao pagamento de aluguel de escritório parlamentar, não era aplicada na atividade legislativa. O dinheiro, segundo a PF, teria sido usado para manter empreendimentos particulares.
De acordo com o delegado da PF, Caio Luchini, a investigação identificou casos de solicitações de reembolso referentes ao aluguel de imóveis que deveriam servir como espaços para atividades parlamentares, mas que, na prática, eram utilizados para empreendimentos particulares, sem qualquer relação com o exercício do mandato.
"Um imóvel que estava sendo utilizado para obter esse ressarcimento não tinha, na verdade, uma finalidade de utilização ou não guardava relação com o exercício do mandato legislativo", resumiu.
O mandado de busca e apreensão na Câmara foi expedido pelo 2ª Vara Criminal da Comarca de Boa Vista. A operação ocorreu em parceria com a 2ª Promotoria de Justiça Criminal e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de Roraima (MPRR).
Operação da PF na Câmara
Arquivo pessoal
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