Brasileiros conseguem voltar ao país apesar de fechamento da fronteira com a Venezuela
03/01/2026
(Foto: Reprodução) Brasileiros conseguem voltar ao país apesar de fechamento da fronteira com a Venezuela
Turistas brasileiros que estavam na Venezuela conseguiram retornar ao Brasil neste sábado (3), apesar do fechamento da fronteira do lado venezuelano. Antes de cruzar para Pacaraima, no Norte de Roraima, os viajantes passaram por fiscalização no país vizinho.
A fronteira do Brasil com a Venezuela está fechada após ataque dos EUA e anúncio da captura de Nicolás Maduro. O Exército brasileiro acompanha a situação e há militares e viaturas posicionadas próximos ao marco onde ficam as bandeiras dos dois países, enquanto cones bloqueiam o acesso.
Entenda: Os Estados Unidos lançaram um ataque militar de grande escala contra a Venezuela com explosões em Caracas e nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira. A ofensiva resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, segundo anunciou o presidente americano Donald Trump.
O g1 acompanhou o retorno ao Brasil de turistas que passaram as festas de Ano Novo em Santa Elena, cidade venezuelana que serve como acesso às cachoeiras da região da Gran Sabana.
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Brasileiros na fronteria após conseguirem sair da Venezuela
Nalu Cardoso/g1 RR
'Deu pouco de medo'
Um dos que retornou o Brasil foi o empresário Deivid Martins, de 43 anos, morador de Manaus, que viajou com a mãe e as duas filhas para a Venezuela.
Empresário de Manaus passou réveillon na região de turismo na Venezuela
Nalu Cardoso/g1 RR
Ele contou que soube da situação por volta das 4h e que a família acordou em alerta. Segundo os viajantes, o fechamento do comércio na cidade dificultou compras de última hora, mas a volta ao Brasil já estava programada.
Na viagem de retorno, a liberação ocorreu após um integrante do comboio buscar informações diretamente em um posto de fiscalização venezuelano.
“O rapaz veio até uma outra alcabala [postos de controle militar] e eles falaram que poderia vir, mas não poderia regressar”, contou.
Na chegada ao Brasil, os viajantes passaram por uma breve fiscalização feita por militares brasileiros. Segundo os relatos, a travessia ocorreu de forma tranquila. “Deu um pouco de medo”, disse o empresário sobre o período em que esteve no país após o ataque dos EUA. Agora, ele segue viagem para Manaus.
'Muita presença de militares'
João Davi, de 25 anos, estava na Venezuela, mas conseguiu voltar ao Brasil
Nalu Cardoso/g1 RR
O estudante João Davi, de 25 anos, também estava em Santa Elena com um grupo de oito pessoas, onde passou a virada do ano. Segundo ele, a notícia do ataque gerou incerteza sobre a possibilidade de saída da Venezuela.
Ele afirmou que o grupo decidiu retornar após receber informações de conhecidos que estavam na região de fronteira.
“Durante o trajeto tivemos de fato a presença de muitas autoridades militares venezuelanas interrogando, pedindo documento, fazendo revista no carro e perguntando sobre o que estávamos fazendo”, contou.
João Davi e o grupo de turistas entrou a Pacaraima por volta das 11h30 (horário local).
Contexto: Roraima é a principal porta de entrada de migrantes venezuelanos no Brasil, pela cidade de Pacaraima. Desde 2015, o estado recebe grande parte das pessoas que fogem da crise política, econômica e social no país comandado por Maduro.
Explosões em Caracas
Na madrugada, uma série de explosões atingiu Caracas. Segundo a Associated Press, ao menos sete explosões foram ouvidas em um intervalo de cerca de 30 minutos. Moradores relataram tremores, barulho de aeronaves voando em baixa altitude e correria nas ruas. Parte da capital ficou sem energia elétrica, principalmente nas proximidades da base aérea de La Carlota, no sul da cidade.
Vídeos que circulam nas redes sociais mostram colunas de fumaça saindo de instalações militares e aeronaves sobrevoando Caracas.
Após o início dos ataques, o governo venezuelano divulgou um comunicado afirmando que o país estava sob "agressão militar" e decretou estado de emergência. Ainda no texto, a Venezuela disse que convocou todas as forças sociais e políticas a ativar planos de mobilização.
A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, disse não saber onde Maduro está e exigiu uma prova de vida do governo americano.
Militares do Exército na fronteira do Brasil com a Venezuela no dia 3 de janeiro de 2026
Nalu Cardoso/g1 RR
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