Comerciantes na fronteira com a Venezuela relatam queda no movimento um dia após ataque dos EUA e captura de Maduro
04/01/2026
(Foto: Reprodução) Impacto da captura de Maduro pelo governo Trump na fronteira do Brasil com a Venezuela
Um dia após o ataque militar de grande escala dos Estados Unidos à Caracas, comerciantes de Pacaraima, município de Roraima na fronteira com a Venezuela, relataram queda no movimento e um "clima de apreensão" no comércio local, neste domingo (4).
De acordo com os lojistas, a cidade manteve a rotina considerada "calma", mas ainda com menos circulação de clientes e movimentação de pessoas. Eles atribuem às tensões políticas de sábado (3).
Entenda: Os Estados Unidos lançaram um ataque contra a Venezuela com explosões em Caracas e nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira. A esposa de Maduro, Cilia Flores, também foi capturada por Trump.
🔎 Pacaraima é a principal porta de entrada de migrantes venezuelanos no Brasil desde 2015, quando o estado passou a receber milhares de pessoas que fogem da crise política, econômica e social no país governado por Maduro.
Grande parte da economia local depende diretamente do fluxo de venezuelanos que atravessam a fronteira para compras e serviços.
Da esquerda para a direita: Kayandrea da Silva; Judith Moreno; Carol Vieira; Marcel Oliveira
Nalu Cardoso/g1 RR e Ailton Alves/Rede Amazônica
A comerciante brasileira Kayandrea da Silva, de 33 anos, afirma que o fim de semana foi marcado por tensão dos moradores e trabalhadores do comércio.
“Hoje está tranquilo até demais. Para um domingo, está tudo muito calmo. Ontem foi muita tensão, mas depois da abertura da fronteira tudo acalmou e agora estamos com o movimento bem abaixo”, disse.
A fronteira do Brasil com a Venezuela havia sido fechada após o ataque. Ela foi reaberta ainda na tarde de sábado.
Comerciante brasileira Kayandrea da Silva, de 33 anos, em Pacaraima
Nalu Cardoso/g1 RR
Segundo Kayandrea, apesar do impacto inicial das notícias, ela não acredita que o episódio resulte em violência ou mudanças bruscas no cotidiano da cidade.
“Eu não acredito que vá acontecer alguma coisa, como violência ou ataques [em Pacaraima]. Acho que a única mudança deve ser um ajuste na presidência da Venezuela lá em Caracaras mesmo”, afirmou.
'Movimento abaixo, quase zero'
Comerciante Judith Moreno, de 51 anos, que vive há quatro anos no Brasil
Ailton Alves/Rede Amazônica
A comerciante venezuelana Judith Moreno, de 51 anos, que vive há quatro anos no Brasil, relata que a principal consequência do ataque militar dos Estados Unidos foi a forte redução no número de clientes, especialmente de venezuelanos que costumam sair de cidades como Santa Elena para fazer compras em Pacaraima.
“Normalmente o fim de semana é mais movimentado, com tudo aberto e mais gente. Agora não. O movimento está muito baixo, quase zero”, relatou.
Segundo Judith, a queda está relacionada à dificuldade de transporte e ao receio da população venezuelana em atravessar a fronteira em meio à instabilidade política.
“A gente depende muito das pessoas que vêm de fora para comprar aqui. Se a situação melhorar na Venezuela, pode ser que as vendas aqui também se organizem melhor”, explicou.
'Fronteira fechada impactou'
Comerciante Judith Moreno, de 51 anos, que vive há quatro anos no Brasil
Ailton Alves/Rede Amazônica
A gerente de supermercado Carol Vieira, de 29 anos, também percebeu a retração nas vendas desde sábado. Ela afirma que, mesmo com a reabertura da fronteira, muitos clientes deixaram de ir ao comércio por medo.
“Hoje está um pouco parado. Imagino que seja por causa da fronteira, que foi fechada ontem. Mesmo depois que abriu, as pessoas ficam com medo de vir, então desde ontem o movimento está fraco”, disse.
Segundo Carol, o impacto é ainda maior porque grande parte dos clientes vem da Venezuela, principalmente de Santa Elena, o que afeta diretamente o desempenho do supermercado.
“O movimento aqui costuma ser muito agitado, mas hoje não está da mesma forma. Para bater meta fica complicado, porque a maioria dos nossos clientes são os vizinhos de Santa Elena. Aqui os moradores são poucos, a gente depende muito deles”, afirmou.
Apesar da preocupação com despesas do início do ano, como folha de pagamento e contas fixas, a gerente acredita que o fluxo deve se normalizar nos próximos dias.
“A expectativa é que amanhã volte ao normal. A gente fica preocupado, mas seguimos trabalhando”, disse.
'Vi as notícias, mas fiquei tranquilos'
O vendedor Marcel Oliveira, de 22 anos, que vive no Brasil há dois anos
Nalu Cardoso/g1 RR
O vendedor Marcel Oliveira, de 22 anos, é natural de Santa Elena, na Venezuala, e vive no Brasil há dois anos, contou que acompanhou as notícias, mas disse que o dia foi vivido com tranquilidade por ele e pela família, que também mora em Pacaraima.
“Para mim estava normal. Vi as notícias, mas fiquei tranquilo, não foi um dia de agonia”, disse.
Mesmo com a incerteza sobre o futuro do país de origem, Marcel afirma que não pretende deixar o Brasil, embora deseje mudanças positivas para a Venezuela.
“Eu espero que todo mundo possa voltar para casa, mas eu fico no Brasil, independente. Para a Venezuela, a esperança é que tudo mude”, afirmou.
Explosões em Caracas
Os moradores de Caracas gravaram em vídeo as diferentes explosões durante a incursão dos EUA em Caracas.
REUTERS
Na madrugada, uma série de explosões atingiu Caracas. Segundo a Associated Press, ao menos sete explosões foram ouvidas em um intervalo de cerca de 30 minutos. Moradores relataram tremores, barulho de aeronaves voando em baixa altitude e correria nas ruas. Parte da capital ficou sem energia elétrica, principalmente nas proximidades da base aérea de La Carlota, no sul da cidade.
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Vídeos que circulam nas redes sociais mostram colunas de fumaça saindo de instalações militares e aeronaves sobrevoando Caracas.
Após o início dos ataques, o governo venezuelano divulgou um comunicado afirmando que o país estava sob "agressão militar" e decretou estado de emergência. Ainda no texto, a Venezuela disse que convocou todas as forças sociais e políticas a ativar planos de mobilização.
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