Falso advogado é preso ao participar de audiência sigilosa no fórum criminal em Boa Vista
30/01/2026
(Foto: Reprodução) Daniel Miller Abranches se apresentou como membro do Conselho da Associação Nacional da Advocacia Brasileira.
Reprodução/Canab
Um homem formado em Direito foi preso em flagrante nesta quinta-feira (29) após tentar se passar por advogado para acessar uma audiência sigilosa no Fórum Criminal, em Boa Vista, mesmo sem registro na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). O preso foi identificado como Daniel Miller Abranches, de 49 anos.
O g1 tenta contato com a defesa de Daniel.
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A prisão ocorreu no bairro Caranã, zona Oeste da capital, quando Daniel Miller tentou atuar em uma audiência judicial. Ele se apresentou como advogado, exibiu uma procuração judicial em seu nome e afirmou ter vínculo com o Conselho da Associação Nacional da Advocacia Brasileira (Canab).
Com isso, conseguiu acessar a sala de audiência de um processo que tramitava sob segredo de justiça. A fraude foi descoberta ainda no início da sessão, quando o juiz Esdras Benchimol pediu que ele apresentasse a carteira da OAB.
Questionado, Daniel admitiu não possuir inscrição na Ordem. O magistrado deu voz de prisão em flagrante pelos crimes de falsidade ideológica e exercício ilegal da advocacia.
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Em seu site, a Canab se apresenta como uma entidade que "luta para que advogados possam exercer sua profissão a partir da conclusão da graduação". Procurado, o conselho informou que Daniel estava acompanhado de outro advogado regularmente inscrito na OAB e responsável legal pelo processo.
Ressaltou ainda que ele é inscrito no Conselho da Associação Nacional da Advocacia Brasileira, "instituição que defende o direito ao trabalho dos formados em Direito, cujo diploma outorga o exercício da profissão".
Em interrogatório na delegacia, Daniel afirmou ser bacharel em Direito desde 2018. Ele disse que, por não ter sido aprovado no exame da OAB, passou a atuar desde 2019 em processos judiciais, fazendo petições e acompanhando audiências em troca de valores financeiros, mesmo sem habilitação legal.
Segundo ele, seu nome constava em procurações judiciais como advogado, apesar de não ter autorização legal para atuar nos processos. Ele negou que tentou enganar as autoridades e disse que sempre se apresentou como advogado da Canab e não da OAB.
O delegado responsável concluiu que a conduta dele se enquadra nos crimes de falsidade ideológica e exercício ilegal da profissão. Segundo ele, a gravidade foi agravada porque o processo envolvia estupro de vulnerável e importunação sexual, “matéria de natureza extremamente sensível”, e tramitava sob sigilo.
O presidenta da OAB Roraima, Ednaldo Vidal, destacou que o exercício ilegal da advocacia vai além de uma infração administrativa, configurando crime que expõe cidadãos a riscos concretos, como a perda de prazos processuais, nulidades, prejuízos financeiros e violação de direitos fundamentais.
“A Seccional reafirma que seguirá intensificando a fiscalização em todo o estado e orienta a população a sempre verificar a regularidade do profissional no site oficial da OAB antes de contratar serviços jurídicos. A atuação firme da Ordem, em parceria com as forças de segurança, reforça a defesa da advocacia regular, da Justiça e da confiança da sociedade nas instituições”, declarou.
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