Mobilização entra no 2º dia e cobra justiça por líder indígena morto: 'Quem matou Gabriel?'
18/02/2026
(Foto: Reprodução) Ato indígena ocorre na RR-203, na região do Amajari, ao Norte de Roraima
Caíque Rodrigues/g1 RR
A mobilização que cobra justiça pela morte do jovem líder indígena Gabriel Ferreira Rodrigues, de 28 anos, entrou no segundo dia nesta terça-feira (18). O ato tem como lema "Quem matou Gabriel?" e ocorre na RR-203, no município de Amajari, ao Norte de Roraima.
A manifestação reúne lideranças e integrantes do movimento indígena da Terra Indígena Araçá. No local, há representantes das regiões Surumu, Alto Cauamé, Baixo Cotingo, Raposa, Serras, Amajari, Serra da Lua, Tabaio e Murupu (Veja abaixo fotos do protesto).
👉 Gabriel Ferreira Rodrigues era uma liderança do povo Wapichana da Terra Indígena Araçá. Ele foi encontrado morto no dia 10 de fevereiro, após 10 dias desaparecido, na região do Amajari. O corpo estava em avançado estado de decomposição e foi identificado por meio arcada dentária.
📍 No trecho da estrada onde ocorre o ato, a via está completamente interditada nos dois sentidos da pista. Apenas veículos de emergência, como ambulâncias, têm a passagem liberada no local. A Polícia Militar acompanha o ato.
O Conselho Indígena de Roraima (CIR) estima que ao menos 500 indígenas participam do ato. Os indígenas acreditam que Gabriel foi assassinado. Com faixas, cartazes e palavras de ordem, cobram a responsabilização dos envolvidos na morte do jovem. A Polícia Civil investiga.
'Sentimento de revolta'
Segundo o coordenador da região da Raposa, na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, e uma das lideranças do movimento, Alencar Gomes Mendes, o clima entre os povos indígenas é de indignação e tristeza diante da falta de respostas sobre o caso.
"É um sentimento de revolta e também de tristeza, porque a gente não sabe realmente o que aconteceu com o Gabriel. O que nós queremos é justiça, o mais rápido possível. Enquanto isso não se resolver, nós não vamos desistir", afirmou.
Alencar Gomes Mendes, lidernaça indígena e um dos coordenadores do movimento que cobra investigação pela morte de Gabriel
Caíque Rodrigues/g1 RR
Alencar explicou que as lideranças acreditam que Gabriel foi assassinado por causa da luta que ele travava em defesa dos povos indígenas e do território.
"A gente acredita que ele foi assassinado por causa da luta dele. O Gabriel sempre trabalhou na defesa do seu povo e do território. Isso incomodava muita gente, e por isso queremos que a Justiça brasileira dê uma resposta rápida sobre o que aconteceu", destacou.
A liderança destacou ainda que Gabriel era um jovem atuante e reconhecido dentro do movimento indígena:
"Ele sempre esteve na linha de frente, participando das mobilizações, trabalhando pelo bem-estar do povo. Trabalhei com ele por três, quatro anos. Era uma ótima pessoa, nunca ouvi ninguém falar algo negativo sobre ele".
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O jovem foi sepultado no último sábado (14), em Boa Vista, segundo o CIR, que acompanha o caso e cobra investigação rigorosa.
A Polícia Civil informou que as diligências seguem em andamento para esclarecer as circunstâncias da morte. O caso é investigado pela Delegacia de Pacaraima, sob comando do delegado Robin Felipe Barreto. A corporação não divulgou a causa da morte.
Desaparecimento
A família relatou ao g1 que Gabriel saiu de casa, na comunidade Novo Paraíso, no dia 31 de janeiro, para participar de um evento na comunidade Juracy. Ele foi visto entre 6h e 7h da manhã do dia 1º, no barracão da festa. Desde então, não retornou para casa nem manteve contato com familiares ou amigos.
Moradores disseram à família que Gabriel foi visto seguindo em direção a uma fazenda próxima.
No dia 10, ele foi encontrado morto na RR-203, no município do Amajari. A moto e o celular dele foram encontrados a cerca de 300 metros de distância de onde o corpo foi achado. Desde o início do caso, o CIR tem cobrado por investigação.
"O CIR seguirá vigilante em todas as etapas da apuração e reafirma sua expectativa de investigação rigorosa, imparcial e célere, com a devida responsabilização dos envolvidos, em compromisso inegociável com a verdade, a justiça e a proteção das lideranças e comunidades indígenas", divulgou a organização, em nota.
"Jovem guerreiro" e "uma perda irreparável", foi assim que o CIR descreveu Gabriel. Ele era uma figura central do movimento indígena da região de Amajari.
Na trajetória de defesa dos direitos dos povos originários, Gabriel ocupou diversas frentes. Uma delas foi como coordenador regional da juventude de Amajari e outra como comunicador da Rede Wakywaa de comunicadores indígenas.
Atualmente, exercia a função de secretário regional e articulava ações junto às lideranças e diversas comunidades da região. Em nota de pesar, o CIR destacou o compromisso do jovem com a "luta coletiva".
Veja fotos do ato na RR-203, em Amajari:
Vitura da PM no local onde indígenas cobram por resposta sobre a morte do líder indígena Gabriel Ferreira
Caíque Rodrigues/g1 RR
O caso de Gabriel é investigado pela Delegacia de Pacaraima, sob comando do delegado Robin Felipe Barreto. A corporação não divulgou a causa da morte.
Caíque Rodrigues/g1 RR
Indígenas acreditam que Gabriel foi assassinado e que o crime pode ter relação com a atuação dele na defesa dos direitos indígenas
Caíque Rodrigues/g1 RR
A família relatou ao g1 que Gabriel saiu de casa, na comunidade Novo Paraíso, no dia 31 de janeiro, para participar de um evento na comunidade Juracy.
Caíque Rodrigues/g1 RR
Gabriel foi sepultado no último sábado (14), em Boa Vista, segundo o CIR, que acompanha o caso e cobra investigação rigorosa.
Caíque Rodrigues/g1 RR
Ato pede justiça por jovem líder indígena Gabriel Ferreira Rodrigues, de 28 anos, encontrado morto
Divulgação/CIR
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