Motorista embriagada que matou corredor atropelado é condenada a mais de 7 anos de prisão em RR
10/08/2026
(Foto: Reprodução) Engenheiro de produção José Francisco Gomes, de 49 anos, foi atropelado quando fazia um treino de corrida.
Arquivo pessoal
A propagandista médica Jully Gabriella Passos Mota, de 27 anos, foi condenada a 7 anos, 7 meses e 26 dias de prisão pela morte do atleta José Francisco Gomes, conhecido como Ferrinho. Ele foi atropelado enquanto corria na região do Bom Intento, em Boa Vista, em março de 2025.
A sentença, à qual o g1 teve acesso nesta segunda-feira (10), foi assinada pelo juiz Jaime Plá Pujades de Ávila, da 3ª Vara Criminal de Boa Vista, no dia 3 de agosto. Ela pode recorrer a sentença em liberdade.
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O acidente aconteceu no dia 29 de março, na região do Bom Intento, enquanto Ferrinho e outros atletas do grupo Runners Team treinavam na estrada. A esposa dele e outras duas pessoas, de 43 e 38 anos, também ficaram feridas. A motorista estava embriagada no momento do acidente.
Jully chegou a dizer que "não daria em nada" e que "aguardaria o pagamento da fiança para ser liberada". Ela foi presa após o acidente, mas foi solta pela Justiça na audiência de custódia, sem pagar fiança, no dia seguinte.
A pena deverá ser cumprida em regime inicial semiaberto. A Justiça também suspendeu a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) de Jully por dois anos, quatro meses e 22 dias. Ela foi condenada por três crimes:
Homicídio culposo sob a influência de álcool, pela morte de Ferrinho;
Lesão corporal culposa grave sob a influência de álcool, pelas vítimas que sofreram fraturas e precisaram de cirurgias;
Lesão corporal culposa leve, pela agressão sofrida pela esposa de Ferrinho.
Ela foi absolvida da acusação de omissão de socorro. O juiz considerou que não ficou comprovada a intenção de abandonar as vítimas, já que ela permaneceu no local e foi mantida dentro do veículo por agentes de segurança.
Na decisão, o juiz destacou que a motorista adotou "postura de acentuada insensibilidade e desdém no local do atropelamento, mantendo comportamento debochado e irônico enquanto as vítimas estavam feridas ao solo, chegando a rir da situação e a afirmar que o fato "não daria em nada"."
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Arquivo pessoal
O acidente ocorreu na madrugada do dia 29 de março, na região do Bom Intento, quando atletas faziam o treino na estrada. No dia, Jully apresentava sinais visíveis de embriaguez e se recusou a fazer o teste do bafômetro em duas tentativas da Guarda Civil Municipal (GCM).
Segundo a investigação da Polícia Civil, as vítimas estavam em pequenos grupos fora da pista de rolamento, na faixa lateral de asfalto e piçarra, porque o trecho não tinha acostamento. Testemunhas disseram que Jully dirigia em alta velocidade e de forma descontrolada.
Em abril de 2025, após a morte de Ferrinho, a Polícia Civil passou a investigar o caso como homicídio. Na época, a defesa de Jully disse que o caso deveria servir de "alerta à todos os praticantes da modalidade de 'corrida de rua', que evitem praticar este esporte em BRs ou RRs, pois o fluxo de carros, ônibus e caminhões é intenso, ainda mas em vias onde não existe acostamento ou faixas destinadas para tal prática".
Ferrinho deixou esposa e quatro filhos. Ele também era dono de uma metalúrgica e administrador. Após o atropelamento, sofreu uma forte pancada na cabeça, foi levado inconsciente para o Hospital Geral de Roraima, passou por cirurgia e ficou internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
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