Pastores suspeitos de estuprar meninas em RR fugiram para AM após denúncias das vítimas, diz polícia
17/07/2026
(Foto: Reprodução) Casal de pastores investigado por estuprar meninas usava religião para manipular vítimas em RR
Os pastores evangélicos Wenderson Lima de Souza, de 32 anos, e Arielly Kamila Moraes de Souza, de 24 anos, investigados por estuprar ao menos seis meninas em Roraima, fugiram para Manaus (AM) após descobrirem que foram denunciados pelas vítimas, segundo a investigação.
Em nota ao g1, a defesa do casal informou que eles são inocentes, primários, têm bons antecedentes e que nunca responderam a processos criminais. Disse ainda que tenta acesso aos autos para se manifestar sobre o pedido de prisão.
O casal fugiu de Boa Vista no dia 27 de abril e levou consigo o dinheiro dos dízimos e ofertas da igreja, segundo depoimento de uma vítima. As informações constam no inquérito conduzido pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), ao qual o g1 teve acesso.
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A fuga do casal teria ocorrido logo após Wenderson descobrir o início da investigação criminal sobre os crimes sexuais. Para dificultar o rastreamento, os suspeitos passaram a utilizar números de telefone cadastrados em nome de terceiros, incluindo chips do estado do Acre.
Em entrevista, a secretária de Segurança Pública de Roraima (Sesp), delegada Eliane Gonçalves, informou que as investigações apontam que os pastores estão em Manaus, no Amazonas, cidade onde Wenderson nasceu e tem familiares.
Com os mandados de prisão já decretados pela Justiça, os pastores são considerados foragidos. Em entrevista, a secretária de Segurança Pública de Roraima (Sesp), delegada Eliane Gonçalves, informou que equipes estão em campo desde maio deste ano para tentar localizar o casal.
"O paradeiro deles é incerto. Nós não sabemos onde eles estão, porque senão já os teríamos prendido. Ambos os pastores estão na condição de foragidos", explicou Eliane.
Os investigadores descobriram que o casal foi para o Amazonas após uma das vítimas revelar em depoimento. Foram descobertos endereços onde os dois poderiam estar escondidos em Manaus, uma vez que Wenderson é natural da capital amazonense e tanto o pai quanto o irmão dele também têm igrejas na cidade.
"Monitoramos e percebemos que eles tinham se deslocado para lá. Só que, quando a equipe chegou para efetuar a prisão, eles já tinham fugido", explicou Eliane.
Segundo a Polícia Civil, mesmo em Manaus, o pastor Wenderson manteve contato com as vítimas e continuou a cometer abusos contra uma delas por meio de videochamadas. Durante ligações, o suspeito se exibia e ordenava que uma das jovens também se exibisse.
Celular quebrado com marreta
Para tentar encobrir os crimes, o casal orquestrou a destruição de provas. Segundo a titular da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), delegada Kamilla Basto, a ordem para destruir o aparelho ocorreu enquanto os suspeitos já estavam a caminho do estado vizinho.
"Ele tomou conhecimento de que elas [vítimas] foram até a delegacia. Então, eles foram de ônibus para Manaus. No caminho, se recordaram que haviam deixado um aparelho celular que tinha provas e pediram para que as testemunhas jovens fossem até a casa dele, pegassem o celular e o destruíssem", detalhou a delegada.
Na madrugada do dia 28 de abril, duas vítimas, de 17 anos, e Raquel Barros Lira da Silva, de 20 anos, apontada como tesoureira da igreja dos pastores, destruíram o celular a marretadas, por ordem do pastor. Raquel Barros acabou indiciada por fraude processual e corrupção de menores.
O g1 solicitou um posicionamento à defesa de Raquel Barros Lira da Silva, mas não teve retorno até a última atualização da reportagem.
Os restos do celular foram jogados em um bueiro próximo à Avenida Ville Roy, em Boa Vista. Além disso, para forjar um álibi, Wenderson orientou uma vítima a registrar um Boletim de Ocorrência online relatando falsamente a perda do celular na capital.
Dias depois da fuga, a pastora Arielly também agiu para destruir provas. Ela pediu que uma vítima excluísse a conta de e-mail dela, que continha cerca de 14 mil fotos e vídeos, além de contatos e do canal do YouTube vinculado à igreja.
Casal de pastores evangélicos Wenderson Lima de Souza e Arielly Kamila Moraes de Souza
Arquivo pessoal
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Manipulação e desvio de dinheiro
Após a fuga, o casal manteve a articulação para manipular testemunhas. Eles convocaram uma reunião remota com líderes da igreja para apresentar uma versão falsa dos fatos, culpando outro pastor por querer tomar a presidência da instituição.
Arielly chegou a ligar para uma vítima na noite anterior ao depoimento na delegacia e a intimidou: "Já sei que você vai depor contra a gente, mas tá bom, Deus abençoe sua vida".
Segundo depoimento de Raquel Barros Lira da Silva, desde 2024 todas as saídas financeiras da instituição eram direcionadas para contas bancárias pessoais de Wenderson e Arielly. Quando fugiram de Roraima, eles levaram consigo todo o dinheiro arrecadado dos fiéis.
Raquel disse a uma das vítimas que, após a fuga dos investigados, cogitou falsificar um relatório financeiro para encobrir irregularidades.
Crimes investigados
A investigação contra o casal começou em abril, a partir da denúncia de uma adolescente de 14 anos.
Wenderson é investigado por seis crimes: estupro de vulnerável, importunação sexual, favorecimento da exploração sexual de adolescente ou pessoa vulnerável, registro não autorizado de intimidade sexual, fraude processual e falsidade ideológica.
Arielly responde por estupro de vulnerável, importunação sexual e fraude processual.
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