Professores suspeitam de fraude em concurso e relatam envelopes abertos no dia da prova no Baliza

  • 24/02/2026
(Foto: Reprodução)
São João da Baliza, Sul de Roraima Caíque Rodrigues/g1 RR/Arquivo Candidatos que concorrem a uma das 30 vagas no concurso público para professores da rede municipal de São João da Baliza, no Sul de Roraima, denunciaram irregularidades na aplicação das provas. As denúncias ocorreram nesta segunda-feira (23), após a divulgação dos candidatos aprovados para a correção da prova dissertativa. Os candidatos suspeitam que houve fraude e citam envelopes de provas abertos, ausência de biometria prevista em edital e até falta de transparência nos critérios de classificação para favorecer concorrentes ligados à políticos da cidade. As provas do concurso foram aplicadas no dia 15 de fevereiro, 37 dias após a divulgação do edital, publicado em 9 de janeiro. O g1 teve acesso a dois boletins de ocorrência registrados por candidatos contra a banca avaliadora, a NTCS Consultoria e Seleções. Atualmente, 94 dos 610 candidatos inscritos foram classificados e terão a questão dissertativa corrigida. A primeira convocação dos aprovados com resultado final deve sair nesta terça-feira (24), de acordo com o edital. Os candidatos ouvidos pelo g1 afirmaram as seguintes falhas na aplicação do concurso: Envelopes de provas abertos antes do início do certame; Ausência de biometria prevista em edital; Questão com respostas duplicadas que não foram anuladas mesmo com recurso; Divergências nos critérios de classificação divulgados em edital pela banca organizadora. Autorização para fazer a prova com cor de caneta divergente do edital. Candidatos ouvidos relataram que registraram denuncias internadas e entraram com recursos na banca, mas todas foram indeferidas. Relataram também que denunciaram no Ministério Público de Roraima (MP-RR). As 30 vagas disponíveis no edital previa contratação imediata, além da formação de cadastro de reserva. Todas eram destinadas à Secretaria Municipal de Educação e estavam divididas nos cargos de professor da educação básica (28 vagas) e professor de educação física (2 vagas). Ao todo, o concurso previa prova objetiva e prova dissertativa, realizadas no mesmo dia. A validade é de dois anos, podendo ser prorrogado por igual período, a critério da administração municipal. Em nota, a NTCS informou que seguiu os protocolos previstos nos editais e negou irregularidades. Disse que "a abertura dos lacres dos malotes ocorre exclusivamente em sala de aula, na presença dos candidatos". Afirmou ainda que "possui 11 anos de história com DNA roraimense e integra as melhores ferramentas tecnológicas em seus processos para garantir certames seguros, transparentes e eficientes" (leia nota na íntegra abaixo). A prefeita Luiza Maura (PP) informou "que a organização, aplicação e correção do certame estão sob inteira responsabilidade de empresa especializada, regularmente contratada para esse fim, conforme a legislação vigente." "A Prefeitura informa ainda que, até o presente momento, não recebeu da empresa organizadora qualquer comunicação formal acerca de ocorrências, intercorrências ou irregularidades durante a aplicação das provas", destacou a prefeita, acrescentando que "um prefeito o que mais tem é ligação com o povo! Tanto que fui eleita com 80% isso só uma observação [sic]". Ao g1, o MP-RR, por meio da Promotoria de Justiça de São Luiz do Anauá, disse que recebeu dois e-mails de dois candidatos "irresignados com a falta de transparência na correção das provas e na publicação dos resultados." A Promotoria disse que "o candidato que se achar prejudicado, pode entrar em contato pelos canais disponibilizados pelo MPRR. É importante que o denunciante apresente elementos probatórios e relato objetivo sobre as inconsistências constatadas no referido concurso para que o órgão ministerial tenha condições de iniciar análise sobre o caso." 'Banca não tomou nenhuma medida' De acordo com os denunciantes, os critérios de avaliação não foram claros. Além disso, eles perceberam que candidatos ligados à prefeita da cidade Luiza Maura (PP) avançaram para a etapa de correção da prova dissertativa. Nos boletins de ocorrência, candidatos afirmaram que os cartões-resposta e as folhas de redação foram entregues abertos e sem lacre no dia da prova, o que, segundo eles, compromete a segurança e a lisura do concurso Uma pedagoga de 34 anos, que prestou o concurso e não foi classificada, afirmou que o problema também ocorreu em outras salas. Para ela, houve outras falhas durante a aplicação do certame que fizeram com que a avaliação fosse "desorganizada". “A gente questionou sobre essas irregularidades na hora da prova, pediu para registrar em ata e foi registrado. Não dava pra se negar a fazer a prova, pois a gente vinha de outra cidade. Mesmo assim, a banca não tomou nenhuma medida”, relatou uma pedagoga. Envelopes abertos e falhas no sigilo das provas De acordo com os boletins de ocorrência, candidatos afirmam que os cartões-resposta e as folhas de redação foram entregues sem lacre, já com os envelopes abertos, o que, segundo eles, compromete a segurança e a lisura do certame. Em um dos boletins, uma candidata relata que “o cartão-resposta e a folha dissertativa foram entregues como folhas avulsas, pois o envelope estava aberto”, além de destacar que não houve coleta de impressões digitais, apesar da exigência prevista no edital. Segundo os participantes, recursos administrativos também foram apresentados após a prova, mas todos teriam sido indeferidos, inclusive questionamentos sobre questões com respostas consideradas duplicadas ou incorretas. “Isso foi algo que chamou muita atenção. A gente questionou na hora, pediu para registrar em ata, e mesmo assim nada foi feito. No edital dizia uma coisa, no dia da prova era outra. A banca estava desorganizada. Primeiro disseram que só podia caneta preta, depois falaram que podia azul também. Foi tudo muito confuso”, disse. Divergência nos critérios de classificação Além das falhas na aplicação da prova, os candidatos também questionam os critérios utilizados para a classificação dos concorrentes à próxima fase do concurso. O edital previa inicialmente que apenas candidatos com 50% de acertos teriam a redação corrigida. Posteriormente, uma errata informou que o percentual mínimo seria de 40%. No entanto, os relatos apontam que a lista divulgada pela banca teve inconsistências. “Primeiro divulgaram que só quem tivesse 50% de acertos passaria. Depois saiu uma errata dizendo que 40% já era suficiente. Só que agora aparece uma lista dizendo que só 50% passa, mas nela tem gente com pouco mais de 40%”, afirmou a candidata. “Eles mesmos se contradizem. A gente não entende qual critério está valendo de verdade”, completou. Além das falhas técnicas, candidatos relatam suspeitas de favorecimento político no concurso. Segundo eles, nomes de pessoas com ligação com agentes públicos do município aparecem entre os classificados. “A maioria dos classificados é parente de vereador, cunhado, esposa, primo. Tem vereador que tem dois, três familiares passando. Para a gente, isso soa como nepotismo”, afirmou uma pedagoga de 40 anos. “O que a gente sente é que só a ‘peixada’ passa. Quem não tem ligação política fica de fora, mesmo cumprindo os critérios”. Os candidatos ressaltam que o parentesco, por si só, não configura ilegalidade, mas afirmam que a situação, somada às demais irregularidades, levanta suspeitas. ‘Tudo foi indeferido’ Questão com respostas iguais que não foi anulada mesmo após recurso Reprodução Os candidatos afirmam que tentaram resolver a situação por meio de recursos administrativos, mas que todos foram indeferidos pela banca organizadora. “Entramos com recurso sobre questões que tinham duas respostas iguais ou estavam erradas, mas tudo foi indeferido. Eles simplesmente não deram ouvido aos candidatos”, disse um pedagogo de 27 anos. Segundo ele, o curto prazo entre a publicação do edital e a aplicação da prova também prejudicou os concorrentes. “O edital saiu e, em cerca de 30 dias, a prova já aconteceu. Concurso geralmente dá pelo menos três meses para estudo. Esse foi tudo feito às pressas”, afirmou. Gastos e sentimento de injustiça Parte dos candidatos precisou se deslocar de outros municípios para participar do concurso, o que gerou gastos com transporte, alimentação e hospedagem. “Saí de Boa Vista para fazer a prova em São João da Baliza. Gastei cerca de R$ 600 com passagem, hotel e alimentação. No fim, fica o sentimento de falta de transparência”, relatou o pedagogo. A pedagoga de 40 anos, disse que se sentiu desrespeitada diante do que classifica como descaso da banca. “A gente se sente sem transparência nenhuma. Dá a sensação de que o concurso foi feito para beneficiar alguém. Quando você vê que nem os critérios são respeitados, fica difícil confiar”, afirmou. Outras polêmicas em concursos Prefeita de São João da Baliza é suspeita de escolher aprovados em seletivo A prefeita de São João da Baliza foi alvo de uma operação do Ministério Público de Roraima com apoio da Polícia Civil para investigar interferência dela em processos seletivos para contratação de profissionais da Educação no município. A ação cumpriu mandados de buscas e apreensão na casa dela em março de 2025. Luiza Maura está no segundo mandato como prefeita de São João da Baliza. Foi reeleita com 3.852 votos (79,50%) em 2024. Ela declarou ao Tribunal Superior Eleitoral patrimônio R$ 355 mil, referentes a uma casa, terreno e dinheiro em espécie. Natural de Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, ela tem como vice-prefeito o Professor Romilson (Republicanos). NTCS Consultoria e Seleções "Gostaríamos de apresentar o nosso posicionamento, pois as questões levantadas dizem respeito à integridade desta banca. A NTCS Consultoria e Seleções possui 11 anos de história com DNA roraimense e integra as melhores ferramentas tecnológicas em seus processos para garantir certames seguros, transparentes e eficientes. Quanto aos questionamentos sobre o concurso público da Educação de São João da Baliza, esclarecemos os seguintes pontos: Sobre a integridade dos envelopes de provas: Conforme os protocolos de segurança detalhados no Edital nº 003/2026, a abertura dos lacres dos malotes ocorre exclusivamente em sala de aula, na presença dos candidatos. Não houve registro em ata de qualquer violação neste sentido, o que nos causa estranheza em relação à denúncia. Sobre o sigilo e as regras da redação: O regramento oficial aplicável a todas as etapas é o texto contido no edital de abertura. Eventuais orientações verbais divergentes repassadas em sala não se sobrepõem ao documento publicado, que é a norma soberana do concurso. (Observamos ainda que todos os recursos administrativos impetrados por candidatos encontram-se listados de forma detalhada e com fundamentação). Sobre os critérios de classificação e divergências: Os editais do concurso esclarecem que a nota é resultado de leitura óptica automatizada. Divergências de notas somente ocorrem de falhas de preenchimento no cartão-resposta por parte do candidato, como marcações incompletas ou rasuras. Além disso, reforçamos que os índices de acerto exigidos são atos administrativos legítimos que visam adequar o certame ao interesse público, tendo sido publicadas por meio do Edital 001 que regulamenta o certame. Com base nos Editais 001 a 007/2026, informamos que todos os prazos e ritos legais estão sendo rigorosamente cumpridos. Não há, até o momento, fundamentos técnicos ou jurídicos que justifiquem a anulação parcial ou total do concurso. O cronograma segue mantido com a convocação dos aprovados para a etapa de correção da prova dissertativa. A NTCS reafirma seu compromisso com a transparência e a isonomia. Atenciosamente, Comunicação NTCS Consultoria e Seleções" Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.

FONTE: https://g1.globo.com/rr/roraima/noticia/2026/02/24/professores-suspeitam-de-fraude-em-concurso-e-relatam-envelopes-abertos-no-dia-da-prova-no-baliza.ghtml


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